Mulher negra, artista, designer, empresária, autora, pesquisadora, brasileira, baiana e trabalhadora incansável.
Assim como as quase infinitas combinações das suas milhares de estampas, o potencial de Goya Lopes é inesgotável.
O curta-metragem Goya Lopes - Coragem de criar nasce com uma missão quase impossível: retratar em apenas 27 minutos a vida e a contribuição cultural de Goya. A obra tem concepção e roteiro de Goya Lopes, Isabella Rosado Nunes e Kin Guerra, direção de som de André Magalhães e direção de Kin Guerra.
"Coragem de criar” é uma realização das empresas Goya Lopes Design Brasileiro, Mina Comunicação e Arte e Solisluna Design Editora, com a cooperação da Fundação Pedro Calmon, orgão da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.
Diferentes traços da artista
O curta-documentário apresenta ao público inúmeros caminhos a serem explorados, cada um levando para um pedaço da vida e legado ainda em construção de Goya.
Somos conduzidos por meio de grandes momentos da formação da artista: o incentivo do pai; a estadia na França; a Escola de Belas Artes; os estudos de design na Itália; a brasilidade em São Paulo; as lojas no centro histórico de Salvador; exposições ao redor do mundo; dentre tantos outros fios condutores da sua criação.
Na estamparia, Goya encontrou sua linguagem para retratar e semear a ancestralidade e a cultura afro-brasileira, onde desbrava-se todo o seu potencial criativo. Com cores vivas e composições minuciosas de elementos africanos e indígenas; as peças da artista estampam no tecido a riqueza cultural do país.
Por meio de depoimentos de especialistas da área, como a curadora Adélia Borges, a modativista Carol Barreto, o gestor cultural Zulu Araújo e o designer Enéas Guerra, o filme mostra as conquistas da sua trajetória artística e a grandeza e singularidade de sua obra.
A jornalista e curadora de design Adélia Borges ressalta a potência da obra de Goya e a relevância de suas criações e produções e tudo que elas representam.
“O trabalho da baiana Goya Lopes na criação de uma estamparia afro-brasileira é de suma importância. A diáspora africana gerou riquezas enormes para o mundo todo, mas algumas são mais conhecidas que outras. A música – do jazz ao reggae e ao samba – é muito conhecida, em suas múltiplas sonoridades. Mas a estampa não. A nível mundial continuamos cultuando fábricas como a Vlisco, que cria na Holanda tecidos chamados africanos, e não as múltiplas vozes como a de Goya. Mas o reconhecimento à sua trajetória ainda está muito aquém de sua contribuição”.
A pré-estreia no cinema foi marcada pelos encontros e muita emoção
O pré-lançamento do documentário aconteceu no dia 30 de junho, no complexo cultural Cine Metha Glauber Rocha, localizado no centro histórico de Salvador. O evento para convidados reuniu amigos, colaboradores e apreciadores da artista.
Muita gente compareceu no cine Glauber Rocha, na Praça Castro Alves, nas duas sessões de apresentação do documentário sobre Goya Lopes. (Foto: Isabel Gouveia)
José de Jesus Barreto, Kin Guerra, Adélia Borges, J. Cunha, Goya Lopes, Valéria Pergentino, Solange Bernabó e Enéas Guerra. (Foto: Isabel Gouveia)
Na ocasião, o cineasta Kin Guerra expressou sua alegria com a realização do projeto: “Goya é uma jóia da Bahia e as nossas jóias precisam ser preservadas e valorizadas com brio e dedicação. Sou pura gratidão por estar misturado nessa rede de cooperação que existe ao redor de Goya. Viva Goya, viva a arte da Bahia”.
Zulu Araújo, diretor geral da Fundação Pedro Calmon, reconheceu a importância da obra na conservação do patrimônio cultural baiano e brasileiro. “Hoje é dia de agradecer. Esse documentário, em tempos tão sombrios como os que estamos vivendo, é uma forma de agradecer a todos aqueles que têm tido coragem para criar, para colher, para amar e, sobretudo, para resistir”
Ao final, Goya Lopes também expressou sua gratidão ao público. "As pessoas que estão aqui, cada rosto presente, contribuíram para o meu crescimento. Quero agradecer por esse trabalho maravilhoso, foi duro, foi difícil, mas conseguimos”.
Lançamento online e conversa com convidados
O lançamento online do documentário aconteceu em 21 de julho, às 19h. A exibição do filme foi seguida de uma conversa entre Goya Lopes, a escritora Conceição Evaristo, o cineasta Silvio Tendler e o artista e curador Ayrson Heráclito. O bate-papo foi mediado por Isabella Nunes e Kin Guerra.
O encontro emocionante explorou a concepção do documentário e a sua produção colaborativa; as experiências da ancestralidade; a significância e influência da obra de Goya e a importância da sua arte no empoderamento da juventude negra.
No seu depoimento, Ayrson Heráclito saudou a criação de Goya e o seu legado para a cultura visual brasileira. "Como professor, artista, baiano e ativista da arte brasileira e nordestina, é uma honra habitar um país com uma pessoa tão talentosa e importante como Goya e acompanhar esse momento atual do seu trabalho, que está ocupando outros espaços que não são apenas reservados ao design. Espaços dessa magnitude que possam abarcar todas as suas competências como criadora de imagem e de uma identidade das causas antirracistas no Brasil, das questões da ancestralidade e das questões relativas à cultura afro brasileira".
Conceição Evaristo levantou a importância da divulgação da história da artista. “O tempo todo que fiquei vendo o documentário, pensei muito na juventude preta, na juventude baiana, em como sua história pessoal traz uma positividade muito grande. Depois de tantas histórias tristes, a sua história é uma história que deve ser contada. Esse documentário precisa chegar nas escolas, nas periferias, porque é uma mensagem de esperança e ao mesmo tempo de reivindicação de direito. O que nos falta é oportunidade, só isso”.
O cineasta Silvio Tendler elogiou a direção do documentário e o seu retrato da artista. “Eu não cortaria um fotograma do filme, nada está demais, nada está exagerado. Ele me deu a possibilidade de entender porque gosto tanto da arte da Goya. Cada fotograma do documentário mostra a grandeza da obra e a personalidade de Goya. O Kin desconstrói um lado oculto. A gente conhece Goya através das coleções dela, mas a Goya criadora, a Goya executora, é uma coisa linda."
Para quem não conseguiu assistir a transmissão ao vivo do documentário Goya Lopes - Coragem de Criar, o filme está disponível para exibição no vídeo abaixo. Para assistir a LIVE na íntegra, basta clicar aqui.
Goya a Lopes é autora dos livros Imagens da Diáspora (português e inglês) e Tecelagem - uma história ilustrada, ambos publicados pela Solisluna Editora.
Você pode conhecer mais os seus trabalhos de moda e decoração no site: www.goylopes.com.br